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A GRANDIOSIDADE DAS COISAS

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Tudo parecia tão grande e tão suficiente... Enquanto somos crianças, tudo nos parece muito maior do que realmente é, primeiro porque ainda somos de fato pequenos,segundo, porque tudo é deveras novo. Lembro que aquela rua,meu primeiro mundo,me parecia enorme,e tão longe do centro.Os quintais, então, até demasiadamente grandes, para mim, pareciam que chegavam até outro mundo, como aqueles "mundos" que eu lia nos livros,ou via na TV. Nas primeiras saídas para a rua,eu via as casas de tijolos,e eram gigantescas.Assim como a casa dos patrões de minha mãe, que me parecia um castelo! Corredor, salas, quartos, cozinhas, tão espaçosas,e os azulejos,tão bem postos,tanto no piso,quanto nas paredes,os banheiros próximos à casa,grandes e limpos. A cidadezinha  desconhecida com as ruas longas e já até bem movimentadas, andar em algumas delas era estranho , pessoas igualmente estranhas, tudo muito novo e grande,muito grande... E na escola, as salas de aula e o pátio...Cabia tant...

CHEIROS,GOSTOS E SONS AFETIVOS

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Existem cheiros que são abraços guardados em frascos. Nossa memória afetiva é um arquivo invisível, onde cada fragrância é uma etiqueta: o cheiro de mãe que dá segurança e acalma; o cheiro de terra molhada que anuncia que, apesar de tudo, a vida se renova; um aroma de café fresco pode ser o prólogo de uma conversa longa e curativa; o cheiro de livro antigo, o portal para um refúgio solitário de sonhos possíveis; a fragrância das flores de laranjeira, lembranças dos quintais e das chuvas da primavera; o perfume de quem amamos que faz reviver os melhores momentos juntos. Somos feitos dessas partículas invisíveis que flutuam no ar, prontas para nos lembrar de quem fomos, de quem amamos e de como cada detalhe — por mais sutil que seja — compõe a colcha de retalhos da nossa alma. Existem gostos que abrem o baú das nossas recordações mais nostálgicas,esses gostos não escolhemos apenas com a razão, mas com a memória e o coração.O sabor do doce de mamão e doce de leite; o gosto...

GERAÇÃO Y (millenials)

Na última década do século 20 eu estava saindo da infância e entrando na adolescência.Eram os anos noventa.E o que era ser uma adolescente nos anos noventa?Era viver um turbilhão de sentimentos,

SEM PAUSAS

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"O tempo não para", já dizia Cazuza.A vida não esbarra pra gente se recuperar dos tombos que levamos de vez enquanto, sejam eles grandes ou pequenos; não importa, o mundo continua girando,a vida  continua reclamando as mesmas demandas diárias, o trabalho exigindo o mesmos resultados... Essa é a vida adulta sem cortes.E como é difícil seguir a rotina quando a cabeça explode e o corpo pede pausa,um descanso para tentar digerir o que fugiu do controle,mas nada para e você tem que continuar,vivendo os  dias pesados,carregando-os lentamente nos ombro,até se curar...Esses dias duram uma eternidade... Em mim,parece que é tudo muito mais doloroso,penoso...Meu único desejo é resolver tudo o mais rápido possível,pra voltar a sentir que tenho o controle, e nesse trabalho de desejar e tentar organizar o que se desestabilizou,a mente pesa,e cansa, e se esgota... Toda a energia do corpo é consumida,as pernas doem, os braços desabam, a cabeça irrompe,a boca fica seca ,os nervos ...

INESPERADA

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E no início da manhã que antecedia o dia das mães,dia 10 de maio, soube da boa nova, que no início foi susto,um grande susto,depois desespero e negação,mais adiante tentativa de aceitação e por fim,  ,esperança.Esperança, porque estamos a espera de uma nova vida,vida que já está na vigésima segunda semana.Difícil de acreditar...Sarah ainda vai fazer vinte e dois anos!A gente tenta controlar as coisas,pensa que convivendo com o medo e ansiedade podemos controlar tudo,mas não podemos, não controlamos nada,e quando acontecem é assim, rápido, como um vendaval,tirando tudo do lugar e mudando o que parecia bom do jeito que estava...Eu sempre falei pra mim mesma,ainda mais depois de tê-la naquelas dadas circunstâncias,que filho não deveria ser feito sem intenção, sem desejo de se ter, sem uma organização prévia, uma preparação psicológica... Porque tudo muda,nada mais será como antes,não será mais só você, chegará um outro alguém que dependerá totalmente de você, enquanto que ...

TEMPOS DE ESCOLA

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Lá pelos idos de mil novecentos e oitenta e oito,na iminência de completar meus seis anos de idade, inicio o primário no Colégio SantaTeresa,e minha primeira lembrança da escola é da minha mãe me levando pela mão até a área da frente onde recebíamos as boas vindas,eu com minha bolsa amarela que tinha um bordado de patinho(era uma bolsa de bebê), com uns pouco materiais.O olhar assustado pela insegurança de ter saído de casa,estar em meio a estranhos,estar enfrentando um ambiente novo,e ao mesmo tempo curiosa e observadora.Pelo menos não chorei aos soluços como algumas crianças fizeram,tadinhas.

INCONSEQUENTE

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A menina inconsequente sempre agia por impulso, não calculava as efeitos dos seus atos, primeiro por ser ainda criança, segundo por ser uma criança mais que desconectada, avoada, possivelmente tdah e ansiosa ao extremo. Pegava muitos cascudos desavisados e dolorosos da tia megera e cascudos não tão dolorosos da avó pelas "malinações".Era evitada algumas vezes pelos vizinhos porque não tinha noção de tempo,de tempo de almoço, de descanso e nem de janta dos outros e nem dela mesma. Por muitas vezes a mãe tinha que chamá-la para almoçar ou jantar da casas alheias. A ansiedade nunca a deixava tirar o sono pós almoço. Raramente conseguia cochilar à tarde, então, enquanto os outros faziam a cesta, ela aproveitava pra fazer travessuras do tipo, "roubar" da avó : leite em pó , açúcar para fazer pirulito, farinha pra comer com açúcar, fio das plantas para dar para a vizinha,ou pegar o material de costura  para fazer roupas de bonecas... Depois nunca guardava -os ...