COMO NÃO AMAR O NATAL?!

Eu creio que todo mundo fica meio sentimental no natal.Aquele clima todo de reflexão, comemoração, união, fé, encerramento de ciclos,deixa uma tamanha nostalgia no ar.E até posso dizer que tendo ou não religião esse sentimento é inevitável para todos...E os sentimentos envoltos em meio a esse clima fazem as lembranças dos natais da infância surgirem... E de todas as lembranças, a das novenas de natal são as melhores.                                         
Durante todo mês de dezembro aconteciam as novenas,cada dia em uma casa diferente da rua. Eu,claro estava sempre pronta para ler uma passagem da Bíblia ou puxar as canções natalinas.Havia toda aquela preparação para a chegada do menino Jesus, cantando as velhas e belas canções:"noite feliz","tempo de esperança e de viver", "É natal noite divinal" e no fim da novena,sempre tinha um lanche,bolo com suco ou refri...E a esperança de que tudo pudesse melhorar para vivermos um natal parecido com o da TV com muitos presentes e mesa farta-mesmo com tudo tão longe da nossa realidade- reacendia e 
resistia.

E mesmo com toda falta de grana, a gente dava um jeito de fazer uma pequena decoração,
muito singela,com materiais recicláveis mesmo.Minha mãe fazia nossa árvore de natal com galhos secos, enfeitávamos com embalagens de café ou papel colorido e dependurávamos caixinhas de fósforo enfeitadas com bombons de fruta dentro, ou pipoca doce,pisca-pisca,era muito difícil e caro. Além disso ainda confeccionávamos cartões feitos a mão,bem pintados, com colagens tiradas de imagens de revistas e muito, muito glitter (areia brilhante), depois eram dados para os amigos da rua ou da escola com muito carinho,aquele carinho que dizia: dediquei todo um tempo só para você. Além disso, na escola, muitas vezes, os professores organizavam amigos secretos, e num tempo de tanta dificuldade,comprar um presente bom era muito difícil, eu dava de presente somente o que podia, e podia pouco.

E não dá para esquecer das famosas meias-noites; quando criança tinha uma curiosidade tremenda em poder ver pra saber como era,pois os preparativos duravam o dia todo, preparação das comidas,
bebidas, limpeza do quintal
,compra de foguetes, confecção das tochas para ilumimar o quintal, uma animação só, mas eu nunca conseguia participar, porque sempre caia no sono lá pras vinte e uma,vinte e duas horas.

Na igreja,à véspera, dia vinte e quatro, para mim que as missas eram mais animadas, às vezes ia com minha mãe, outras com minha avó ou tia e primos... as pessoas estavam mais arrumadas, sorridentes e tinha o presépio de natal,que eu amava admirar,ficava imaginando toda aquela cena,a manjedoura,o Cristo,os reis magos,os animais,a noite mais especial.

Aqueles natais eram bem simplezinhos,mas tinham o espírito de comunhão
risos, brindes, descontração em meio a dureza do dia a dia...Hoje muita coisa mudou,o espírito natalino não é como o mesmo dos velhos tempos.A decoração é mais sofisticada, com  toda a americanice,os presentes mais caros e os convidados são bem mais poucos, mesmo a mesa sendo mais farta.
Mas ele, o espírito natalino continua existindo, persistindo em aproximar os familiares e amigos de qualquer jeito.E eu???...Eu continuo amando o natal.

Roberta Ramos 

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