PENSAMENTOS ALEATÓRIOS

Entre tantos sentimentos que permeavam  minha mente inquieta enquanto criança e adolescente, um deles era o fato de não ter tido irmãos mais velhos que pudessem ser meus "protetores", meus guias,em quem eu pudesse me espelhar,confiar...Eu era a mais velha,toda a responsabilidade em ser a primogênita estava nas minhas costas e às vezes pesava, porque eu observa que todos os meus amigos e amigas tinham irmãos mais velhos ,sendo assim,quase nada dependeria somente deles, isso era o que eu achava.Como era costume as famílias terem muitos filhos,os mais velhos estudavam ou casavam e por sua vez, ajudavam de alguma forma os mais novos,a vida dos mais novos sempre era mais fácil.A minha então não seria(e não foi)...Me sentia desapontada e triste quando pensava nisso.

Além do mais eu não tinha parentes em outras cidades,onde pudesse passar férias ou estudar quando terminasse o colégio,mais uma frustração.Tive sorte que quando concluí a oitava série, minha escola já proporciona o ensino médio.Diante de tudo,procurava razões para me consolar e ficava orgulhosa porque tinha e ainda tenho uma tia irmã de mamãe que ,pelo menos, uma vez no ano vinha nos visitar e trazia sempre algo para nós: brincos,aneis,
pulseiras, calcinhas, brinquedos...
Sempre,sempre algo e até hoje depois de tanto tempo, ela ainda é assim, continua a me presentear.Eu aproveito,hoje que posso, e dou sempre presentes bons para ela ,que ama e merece muito tudo de maravilhoso,minha tia Nenzinha.

E, havia mais um incoveniente, a falta do tal esteio da família,o braço masculino,um pai.Isso lá pela adolescência,foi o único período no qual eu senti falta dessa figura,eu percebia que esse fato,o de fazer parte de uma família tradicional,
trazia mais respeito,um olhar mais cortez dos outros para as famílias ditas "normais".
A sociedade naquela época era ainda muito mais tradicional.E eu fazia então parte de uma família incompleta,formada por mãe e dois filhos,um de cada pai. Não sentia vergonha,
nunca!Apenas desejava às vezes que fosse como as outras.E como sempre me apegava a um prêmio de consolação,chamava meu tio, irmão de minha mãe de pai,ele também já tinha feito papel de pai para ela e seus irmãos e fez para mim e meu irmão também.Um grande homem que nunca reclamou de ter que ajudar minha mãe a nos criar mesmo tendo tantas outras obrigações como cuidar dos cinco filhos também.

Não foi fácil ser a mais velha,eu e meu irmão só tivemos boa relação,até a adolescência,
depois disso,quase nenhuma.Mas eu consegui os meus primeiros objetivos e hoje sou para minha filha e meus sobrinhos esse esteio da família com muito orgulho!

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